sábado, agosto 4

Interpol - Our Love to Admire, 2007


Atenção, senhores: está para começar o julgamento final que decidirá a resposta para a pergunta que surgiu exatamente após o mês de agosto de 2002: a banda Interpol tenta ou não fazer uma cópia descarada da banda Joy Division? Fiquem de pé, pois o juiz João Daniel vai entrar (hahahaha).

Podem sentar agora. A banda de nova-iorquinos formada em 1998 acaba de lançar seu terceiro Cd. Está na hora de pô-la contra a parede.

A verdade é que eu já fui fã de Interpol. Devo ser ainda, mas não tanto. Todos sabem que a cabeça de um fã Indie é complexa demais para a compreensão humana. Eu mesmo tentava defender Interpol, superestimando-lhe a autenticidade (não digo que Intepol não é original e nem que uma banda boa tenha que ser diferente de tudo, mas os meus argumentos passavam dos limites). Primeiro falei que Interpol nada tinha de Joy Division. Depois, passei para o “parecido vagamente”. Mais tarde, o “realmente semelhante, mas isso não significa nada”. Por último, dei por mim cantarolando na cozinha uma música de Interpol e acabei emendado, não sei como, She’s lost control, de Joy Division. Desisti.

Todo e qualquer artista sofre influências, quer queira ou não. Dizer que é uma cópia é outra história - é ofensa; nenhum artista que se preze, e até os que não se prezam, deseja isso. E Interpol não é cópia. É uma banda de fortes reminiscências de Joy Division. Bem forte. Uma homenagem, talvez. Ou uma cóp... !(tossindo). Perdão.






FAIXA A FAIXA

1) Pioneer to the falls

Não dá pra ouvir essa música sem imaginar Ian Curtis se sacudindo lá na tumba dele. É talvez a mais sombria do álbum. Eu ia me atrever a dizer que a voz de Paul Banks finalmente ficou mais melancólica que a de seu “alter-ego”, mas ainda falta muito para isso (e talvez ele nem queira).

2) No I in Threesome

Finalmente o sangue Interpoliano, se me permitem a expressão. As mesmas guitarras, o mesmo baixo, a mesma caixa da bateria, o mesmo tom da música. Eu não queria ser muito duro, mas não dá: a maior decepção desse terceiro disco foi a sensação sublinhada de “Repeteco”. Sem a emoção do primeiro e os riffs do segundo. Entretanto, essa música não é de todo descartável.

3) The Scale

Eu gosto da bateria do Interpol. É da boa, mesmo. Por isso eu não consigo detestar essa música. Tem um back vocal aqui horrível. Por sorte, dura somente alguns segundos.

4) The Heinrich Maneuver

Foi a desgraça propagandística do Interpol ter posto essa música como anúncio para o álbum. Não é das melhores, não é das mais surpreendentes e parece música para treinamento. Ainda assim, é Interpol.

5) Mammoth

A mais insólita. O engraçado é que eu espero algo diferente e quando o bicho vem tomo um susto danado. Se você quiser apresentar uma genuína música de Interpol a outro alguém escolha qualquer uma, menos essa.

6) Pace is the Trick

Talvez a melhor. Boa mesmo. Digamos que seja a Narc deste álbum. A bateria, como sempre, quase idêntica a de todas as outras músicas, mas um bom ouvinte relevará isto.

7) All Fired Up

Outra boa. Esse baterista deve ser o mais fiel e rotineiro dos maridos, se for leal à sua esposa como é aos compassos de bateria que aplica no Interpol. Nessa aqui até que ele ousa mais variações.

8) Rest my Chemistry


Pára tudo! Pára tudo! Acordes menores misturados com maiores?! Guitarras sobrecarregadas?! Voz cantada de forma quase Folk em alguns trechos?! TRILO DE GUITARRA?!!! Quando ouvi, não acreditei. Mas é a verdade: essa música tem tudo isso. E em todas as outras praticamente não se vê.

9) Who do you Think?

Um inicío que promete, mas só. Mais um C’mere da vida.

10) Wrecking Ball

Estou começando a achar que a Seção Repeteco ficou mesmo lá na primeira metade do Cd. Essa música aqui, além de ter o melhor riff de todas, tem um back vocal menos escroto que o da 3ª e ainda notas estendidas por cima dos outros instrumentos, algo raro em se tratando de Interpol. Valeu a pena esperar o Cd chegar até aqui.

11) Lighthouse

A última música do disco é também a mais melódica. Tem ares de New Age, mas bem poucos (eu é que sou implicante). Por um instante, remete a Alphaville (mas qualquer música que tenha um órgão tocando lentamente remete a Alpahville). A bateria é a mais diferente de todas, e tem um Surdo monstruoso aqui.

Eis, deliberadamente forjado, o veredicto:

NOTA:

3 comentários:

Rodrigo L. disse...

Nem ouvi esse disco novo. Aquele da capa branca, ouvi um pouco - mas não me agradou. O primeiro eu até acho bom, mas já não escuto hoje em dia. Tudo isso pra dizer que, ainda assim, Interpol é melhor que Joy Division.

Daniel disse...

Rodrigo, confesso que ouvi uma música de Joy Division e cheguei a dizer que era "a banda", mas demorei mais de UM ANO para baixar um álbum. Confesso também que, pelos meus cálculos, eu já ouvi mais Interpol do que Joy Division. Mas uma afirmação como essa tua aí eu não tenho coragem de fazer não.

Fernandes, Eder. disse...

E por que não? Eu chego a dizer que todas as duas são uma merda.