terça-feira, outubro 16

Papillon (Papillon, EUA, 1973)


Já nos créditos finais do filme, pensando sobre a apresentação de um seminário que uma amiga fez na faculdade sobre certo romance, me veio como um raio violeta uma lembrança há muito guardada em minha inexplicável mente. É a seguinte: estamos num dia de tédio em frente a tv. Vai passar um filme estilo steven segal, mas de cowboi e não tem Steven Segal. Você procura desesperadamente outras opções, e o controle remoto não pára (receiamos até que a pilha esvazie tamanho o frenesi). Rendemo-nos. Na TV um cowboy benevolente e grisalho olha pro companheiro ao lado do balcão do bar (close) e começa a falar do protagonista (trilha sonora): Dallas city é com um alce (cenas editadas do tal Dallas correndo virilmente, em fuga, na floresta). Se um alce é pego desprevinido por uma armadilha (um alce é pego por uma armadilha) ele tenta de tudo pra se livrar dela. Tendo de tudo tentado e nada adiantado (a tensão cresce, e o tal alce tenta de tudo pra se libertar) então o alce vai roer sua própria pata para se ver livre (vemos o Dallas correndo). Ele sabe que não vai muito longe, um kilometro, dois talvez, mas ser pego (tchan tchan tchan) jamais. (plin plin).


Depois foi inevitável divagar sobre o peso de coisas inúteis que carregamos em nós. Por isso quis dividir essa carga com os senhores desafortunados leitores. O que me leva pra outro assunto...


***



Se você é o tipo de pessoa (como por exemplo meu caro colega moedotecário J. D.) que se impressionou com uma, duas ou três atuações, (por exemplo Holly H... deixa pra lá), e a partir de então assiste indiscriminadamente a qualquer filme por causa desse ator ( por exemplo o diário secreto de meu na... esqueça), então você me compreende.

Lembro-me que na tenra idade eu tinha uma visão equivocada de Dustin Hoffman. Sei lá, o seu rosto me passava uma impressão de um cara, como posso dizer... não-legal. Isso apesar de não ter visto nem filme dele então. Já nessa época, uma propaganda da TNT me surpreendeu. Era assim: umas duzentas pessoas estavam aglomeradas numa ruela em frente a um restaurante modesto se espremendo, disputando uma lugar na janelinha, espiando excitados por ela. Eis que a câmera vai pra tal janela e pra minha surpresa lá estava o cara não-legal, o causador de todo aquele tumulto. Vai que ele não é assim tão não-legal. Vai saber.


Esqueci dele por anos. Até que de todas as duas horas e tanto da mega produção "O Perfume", adaptação de um romance que eu lera, sua ponta fazia valer todo o filme que não convence. Foi espetacular sua participação, mas me esqueci dele novamenete. Pra resumir essa história basta dizer que de lá pra cá, dos muitos filme que assisti, dois que estão entre os poucos escolhidos têm esse carinha no elenco. Em A primeira noite de um homem , não reconhecendo o jovem protagonista, tive que pular até os créditos pra ver o nome do miserável. Em kramer vs Kramer o mito já existia e se solidificou ainda mais.


Esse fim de semana vi esse tal de Papillon, e só vale algo quando Dustin está em cena. De resto é bem digna da historieta do início deste longo e enfadonho post que tem a única finalidade de prestar uma homenagem. Quero dizer, o filme não é horrível, tampouco ótimo e o McQueen tem também uma boa atuação. A questão é: a que disparates essas obssessões podem levar um homem de bom senso fazer ainda não sei, mas quem não tem um ponto fraco?




obs: havia me comprometido de deixar aqui minha opnião de que gosto mais de Tarantino que de Almodóvar. Não conseguindo encaixar no texto, vai na observação mesmo.


obs2: Não assistam o diário secreto de meu namorado!




NOTA:

2 comentários:

Daniel disse...

Bwhahhahah! Tu ainda deu 2,5 nesse lixo? Tudo bem, ele é melhor que Pergunte ao Pó.

Ei: não é diário. É Agenda. Com A maiúsculo.

Mauricio disse...

A trilha sonora deste filme é horrenda. Ou, como diz Eder, hedionda. Tive que zerar o volume para suportar até o fim.