segunda-feira, novembro 19

Os Incompreendidos (Les 400 Coups, FRANÇA, 1959) / Os meninos da Rua Paulo - FERENC MOLNÁR (Editora COSACNAIFY, 264 pág.)



Não sei quem considera Os Incompreendidos um filme infanto-juvenil. Talvez ninguém; provavelmente poucos. Tamanho é o desprezo e a incredulidade adulta diante das inteligências infantis que nos soa tola a possibilidade de um enfant compreender Truffaut. Como se fosse compreensível (aos adultos, aos cinéfilos furiosos, aos críticos, a qualquer um) o olhar final de Antoine Doinel.

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Todos consideram Os Meninos da Rua Paulo um livro infanto-juvenil. Sucesso mundial, o romance de Molnár, por sua narrativa simples, ligeira, descomplicada, faz com que críticos, adultos, literatos furiosos considerem-no um livro superável - aos dezoito, já não faz sentido, já não exige releitura. Como se a memória, por mais remota e por mais cheia de imaturidades e atos patéticos, não fosse parte essencial no desenvolvimento do leitor maduro.



Há muito de Molnár em Truffaut. Não na narrativa - a distância entre literatura e cinema, entre Molnar e Truffaut, é grande e, para a maioria, insuportável: quantos toleram o cinema sem narrativa? Nenhum dos dois diminui ou eleva a criança. Retratam-na, puramente: seres já incompletos, atormentados e rebeldes. Com a revolta dos enfants de Truffaut e Molnár, nota-se, por sinal, que só a criança tem o direito à rebeldia. Que só o menino não é ridículo.


Os Incompreendidos:



Os Meninos da Rua Paulo:

Um comentário:

Anônimo disse...

Não sei se é muito tarde, bem, não importa; seu texto está ótimo. Creio que Carol gostaria que se pensasse um pouco diferente em seu tempo.