sábado, dezembro 1

A Tarde de um Escritor - PETER HANDKE (Editora ROCCO, 80 pág.)


Eu sempre gritei aos quatro cantos que era indiferente ao cinema. No entanto, isso tem mudado. Mesmo por que, afinal, ninguém é de ferro. E é impossível manter-se indiferente às suntuosas imagens de François Truffaut, por exemplo, ou (onde exatamente quero chegar) ao famoso e bonito diálogo entre os anjos em Asas de Desejos, de Wim Wenders, quando eles listam as humanices de que mais invejam. Este diálogo, pelo que se sabe, foi escrito por um alemão chamado Peter Handke. É ele também o autor deste A tarde de um escritor, um livro bastante piegas e sem muito a acrescentar a quem almeja lidar com as palavras — digo isso porque na orelha do livro vem escrito justamente o contrário. Abro um parênteses para admitir que sou adepto àqueles que julgam que a orelha de um livro deveria também vir críticas nem sempre elogiosas à obra, e sim dotadas de um espírito crítico mais severo, por assim dizer.

Confesso o meu desapontamento após dar o livro (livreto, já que possui 80 páginas) como lido. Como o título bem diz, Handke descreve a tarde de um escritor às voltas com uma crise criativa, vagando pela cidade onde mora e seus arredores, visitando bares, observando os homens, as copas das árvores, etc, etc, mas leva oitenta páginas para dizer tudo que quer e afinal nada diz de relevante. Algumas imagens são bonitas, mas e daí? Trata-se de um livro descritivo, moroso, sonolento, cuja sensibilidade ultrapassa a tênue linha das coisas que valem a pena (como, no filme citado, o diálogo entre os anjos) e desemboca no grande abismo da mediocridade. Como exemplo um pequeno trecho adiante que não me desafia a desdizer nada do que eu disse, e além do mais, ainda reitera: “Iniciei-me no ofício da palavra! Seguir em frente. Deixar estar. Deixar valer. Representar. Transmitir...”.

Concordem que é de um mau gosto hediondo.

NOTA:

3 comentários:

Davi disse...

o que é isso? estão disputando pra ver quem dá a menor nota do blogue é?
Que coisas vocês vem vendo heim, e não bastasse tomar conhecimento saí por aí gritando ao mundo inteiro, em português, não sem satisfação ou alegria masoquista: isso é ruim.
Muito bem, continuem assim. Daqui a pouco vem a seção "Fuedeu maria preá" pra vocês se sentirem ainda mais refesteladas vossas linguas malidicentes.
Saibam, eu aindo estou neste blogue, só sou o exentrico da turma, minha principal função agora é preencher o comentatório de comentários e dá a impressão de que o bloque é super visitado.

Anônimo disse...

Eder, tudo bem que você leia livros bons e ruins, mas seria melhor que se falasse apenas dos bons, pois quem é que fará questão de saber que o Flamengo de hoje um dia existiu, se quando falamos da sua situação hoje vocês citam as suas glórias do passado.

Fernandes, Eder. disse...

Nas sábias palavras de Morais
Moreira: "Ó meu glo-rioso Flamengo"