quarta-feira, fevereiro 20

Feist - Let it Die, 2004


Para além de discussões de gênero e de estílo se situa Feist, cantora canadense, seu trabalho fala por si só. Seu segundo álbum (depois deste já foi lançado o terceiro, Reminder, agora em agosto de 2007), Let it Die foi feito em parceria com o músico Chilli Gonzáles na França entre 2003 e 2004. O disco resulta de uma mistura de diversos elementos, do jazz e da bossa nova ao pop declarado, num trabalho original e coeso. A concepção músical é tal que traz a voz, uma voz meio rouca (legado do punk*) e afinadíssima, para o primeiro plano; discretos e esmerados, os arranjos não competem com a cantora, nos momentos mais notáveis só lhe dá mais relevo.

Em geral, Feist tem um valor próximo ao do silêncio. Perfeita como música de fundo para lavar pratos e cantar junto, sem compromisso. Por ser leve e intimista assemelha-se à música ambiente; mas se observada de perto não se trai, ao contrário, revela uma consciência músical rara e firme. Sem falar dos picos emocionais, músicas como Lonely Lonely, quando não há como ficar indiferente, salvo casos hediondos e excepcionais, facilmente desconsideravéis.

Seja qual seja a perspectiva, interpretada com paixão ou displicência, Feist é uma moça e tanto.

Além de tudo, é bonita.



Faixa a Faixa


1) Gatekeeper

Música introdutória, começa com apenas o violão e a voz. O resto vem depois como auxílio luxuoso.

2) Mushaboom

Boa música. Aqui fica claro o lado infantil da senhorita, muito notável nos video clipes. Mas não no sentido pejorativo, mais como inocência e despojamento. Grande interpretação, como diria João, meu colega moedotecário, ela faz as palavras terem polpa.

Pra quem gosta de curiosidades, essa música foi tema de uma propaganda de perfume masculino, na França, o que projetou a cantora para o grande público.

3) Let It Die

Faixa título, belíssima canção assinada pela própria Feist. Destaque para a interpretação, marcadamente emocional em relação às outras canções. Talvez a melhor música do álbum.

4) One Evening

Parceria Feist e Gonzáles, um pop sem fórmulas fáceis. Uma bela melodia, como de costume.

5) Leisure Suite

A música começa com instrumentos contidos e estalos de dedos. Arranjo cheio de detalhes discretíssimos, vai distribuindo os elementos gradativamente (cria aquela impressão de que alguma coisa vai acontecer) e culmina numa malha musical que funciona por si só, sem nenhuma explosão; simples.

6) Lonely Lonely

Sem dúvida a melhor execução do disco. A letra foi feita por Feist sobre a música de Tony Sherr. Feist canta melhor do que nunca, e a melodia é realmente boa. A parte orgásmica da música vem no final. Sem mudar o andamento a música explode e as bocas dos afortunados que estiverem escutando adormeçem e despencam; podem parecer bobos mas neste momento eles sabem das coisas.

7) When I Was a Young Girl

Uma regravação de uma música folk. Tem bons rifes de guitarra e uma boa linha de baixo. É a pior canção do álbum.

8) Secret Heart

Grande música. Com uma palavra: delicada.

9) Inside and Out

Regravação dos Bee Gees, a influência pop escancarada. É o arranjo mais grandioso do CD, com direito a teclados tipo anos oitenta (nada mais disco); lembra Michael Jackson, o que é ótimo.

Música pra se dançar em casa de olhos fechados e imaginar estar numa discoteca.

10) Tout doucement

Letra em Francês, justificada pela dupla identidade idiomática dos canadenses e porque Let it Die foi gravado na França. Ademais é uma boa música, de verdade.

11) Now at Last

Essa canção tem cara de encerramento. É lenta e melódica; nada estranho para esse álbum, mas depois de uma sequência de três músicas mais "animadas" fica claro a quebra.

-----

* Feist participou de uma banda punk na adolecência. Os médicos decretaram o fim de suas pretensões de cantar depois do estrago que a primeira turnê da banda fez à sua voz.


NOTA:

Um comentário:

Maldonnado disse...

Davi, tu tens este disco? Se tiver gostaria de escutá-lo em breve.