terça-feira, setembro 23

Declaração de férias

Como foi anunciado por João Daniel, ficarei alguns meses ausente do blog, até janeiro ou fevereiro do ano próximo. Esse afastamento temporário, digamos assim, deve-se, sobretudo, a necessidade de dedicar-me mais aos estudos para o próximo vestibular, já que minha decisão de largar o curso de Letras Vernáculas foi finalmente tomada.

Não foram poucas as pessoas que vieram me dizer que eu fiz a pior escolha do mundo, que Economia (ou Direito) não tem nada a ver comigo, que o curso de Letras é minha cara. Quanta idiotice. Qualquer curso é curso (pensei até em cursar Biologia), desde que seja encarado como mero adestramento para as melhores profissões; e, desse modo, penso que ser professor não figura entre as melhores disponíveis, pelo menos não aqui no Brasil, onde pretendo seguir morando. Há quem acrescente o óbvio: não é porque você se formou em Letras que tem que ser professor. E então devo admitir: criei também certa antipatia pelo curso, sobretudo por seu elevado índice de mediocridade. Um exemplo. Ainda hoje lembro o professor Aleilton Fonseca citando alguns teóricos da lírica com os quais trabalharia em certa matéria optativa (o tom de voz dele era inacreditável) e as meninas da minha sala, cerca de quinze a vinte, gritavam horrorizadas, maldizendo os nomes citados, como se o alto pensamento deles lhes desagradassem e ferissem profundamente. “Octavio Paz”. “Não!!! Não!!!”. “T.S. Eliot”. “Não!! Elióte não, não!!”. E algumas puxavam os cabelos, outras devoravam as unhas das mãos, e todas tinham aquele olhar obtuso tão caro aos canalhas. Tal cena, insignificante em si, me atormenta até hoje, como símbolo de uma mediocridade transcendental. E, sinceramente, não quero isso pra mim.

É bom que se esclareça uma coisa: eu não acho que sou tão bom, tão inteligente para não cursar Letras. Isso soa demasiado arrogante (e no meu projeto atual de vida a arrogância deve ser combatida). É, pelo visto, o contrário: em um curso assim me desaponta saber que há pessoas que saibam menos que eu, considerando esse que vos escreve seja proprietário, e é, de uma ignorância alastrante, de uma burrice enciclopédica.

Mas, deixando as autocríticas de lado, é isso. Meus projetos para o fim do ano, para os poucos desejam saber, consistem em passar no próximo vestibular, ler o quanto possível (sobretudo budismo e filosofia oriental), escrever um extenso especial de música sobre João Gilberto (a ser publicado aqui em dezembro) e, é claro, arranjar um emprego com boa remuneração para que eu possa deixar de me alimentar no Restaurante Universitário (confesso, o meu desejo maior). Continuarei também escrevendo para a Revista Única, já que Adson começou a me pagar uns níqueis.

Um abraço amistoso em cada um dos 17 leitores deste blog humilde, porém limpinho. Não hei de citar nome por nome para não constrangê-los.

No mais, é isso. Vida que segue.

Um comentário:

Daniel Oliveira disse...

Espero que você não esteja incluindo Eliseu e Josuel nesse "elevado índice de mediocridade".

"Elióte" é o supra-sumo da tiração de onda cruel.