domingo, novembro 30

RESULTADO DA 6ª ENQUETE DO BLOG


Registre-se o histórico momento: em 24 de novembro de 2008 a Cosac & Naify, superando a Cia. das Letras por dois míseros votos, leva a gloriosa preferência do leitorado do blog - e, convenhamos, nada mais justo.

Mas sejamos, também, um tanto severos: o ideal, a editora brasileira perfeita, caso existisse, seria uma saudável mistura das duas mais bem colocadas no pódio. Sozinhas, não merecem elogios apenas. O catálogo da Cosac é, sim, digno de respeito. Antes de tudo, louve-se a atitude de só se prestar a editar traduções feitas diretamente do original (se não me engano, há apenas uma exceção: um conto de Isaac Bábel na coletânea Maria) - foi isso o que nos trouxe Pais e Filhos, Anna Kariênina, um clássico de Jens Peter Jacobsen... Creio que seja desnecessário apelar para a qualidade gráfica, o cuidado artístico das edições - qualquer um que já esteve folheando Este Lado do Paraíso, Moby Dick, Satolep, Bartleby, Os Miseráveis ou O Passado sabe que, para fetichistas, não há opção de voto: crava-se Cosac & Naify sem mais reflexões ou arrependimentos. A lamentar, apenas a lentidão em relação aos lançamentos - pois há momentos em que a Prosa do Mundo soa extremamente enfadonha.

Já a Cia. das Letras possui um catálogo incansável: sabe-se que há Roth, Oz, Hatoum, Saer, Bernhard, Javier Marías, Sebald, etc. etc. etc. O papel é bom, as fontes são acertadas, as capas são passáveis - naturalmente não alcança a excelência da Cosac, mas poucas vezes se compromete. Entre os pecados, a edição de traduções de "segunda língua", preços que por vezes, ao bolso do homem comum, soam descabidos e uma feia mania de deixar ótimos livros se esgotando criminosamente; até pouco tempo atrás, ouvia-se a lenda de literatos trocando socos por exemplares de O Náufrago - prática ainda comum quando dois deles encontram, ao mesmo tempo, um exemplar de O Teatro de Sabbath ou, sobretudo, de A Vida Modo de Usar.

Entre os menos cotados, os 7% da L&PM assinalam nosso eterno agradecimento às edições para pobres;

os 7% da 34 (merecia mais, muito mais!) mostram nossa atenção escassa ao monumental trabalho dos amantes do Leste Europeu;

os 7% da Globo esclarecem nossa bondade em reconhecer sua nítida evolução com edições decentes de Proust e Cyro dos Anjos (Abdias ainda repleta de imperdoáveis erros de revisão!);

os 5% da Alfaguara acenam para uma aceitação ligeira da novidade, sobretudo quando ela nos traz Joyce, Benedetti, Correia de Brito, etc.;

e, por fim, os 5% da Rocco mostram a nossa eterna capacidade de fazer piada em cima da tragédia.

12 comentários:

Daniel Oliveira disse...

Tudo bem que a Rocco publica livros cavernosos, mas ela também trouxe alguns cabedais como John dos Passos (fora de catálogo) e Saul Bellow (mas títulos não muito interessantes); e dos contemporâneos, Margaret Atwood.

Por falar em lançamentos lentos da Cosac, esta acaba de lançar "Três vidas", de Gertrude Stein!!

Rodrigo L. disse...

Sem dúvida a Rocco tem seu valor, Daniel. O problema é que é muito difícil ler seus livros. Eu evito ao máximo.

Vi algo sobre o Três Vidas. Eu, particularmente, acho é que a Cosac deveria se empenhar em traduzir todos os contos da Katherine Mansfield. Só um volume de contos dela nessa coleção é um crime - ainda mais se pensarmos que há todos os contos de Woolf e O'Connor, três volumes de Blixen e dois de Duras!

rafael disse...

Por que é difícil? Tradução?

Rodrigo L. disse...

Não, Rafael, é porque as fontes são terríveis, o papel também, o espaçamento ordinário. Essas coisas.

Ederval Fernandes disse...

Sem falar que a mancha é tremendamente larga. Isso causa uma dor de cabeça dos diabos.

Daniel Oliveira disse...

Rodrigo, tem razão quanto a Mansfield, mas se for pra Cosac calibrar melhor a coleção "Mulheres modernistas" existem outras obras mais urgentes para o Brasil (também porque a coletânea de Mansfield, embora pequena, é muito boa); penso em Willa Cather, uma escritora muitíssimo renomada mundialmente mas pouco falada aqui. Tem Edith Wharton também, e várias outras.

Você se esqueceu de falar da editora Nova Fronteira, que dominou a literatura estrangeira no Brasil até meados da década de 80. E o grupo editorial Record, não recebeu nenhum voto???

Rodrigo L. disse...

Record e Nova Fronteira ficaram com exatamente 0 voto. Eu, particularmente, reconheço uma melhora na Record, principalmente nessas edições de Bolso que estão fazendo agora.

Quanto ao comentário sobre Mulheres Modernistas, falei mais por gosto pessoal mesmo. É uma das melhores coleções da Cosac, sem dúvida.

dudu disse...

a conversa foi boa, em?!

Catharino disse...

Daniel, eu sou o responsável pela vitória da Cosac, nos minutos finais entrei e dei o voto de minerva.

Quanto a Rocco, reconheço que eles precisam melhorar e muito; e a Cia poderia sim ter sido a vencedora ou ao menos um empate, não seria nenhum absurdo.

Daniel Oliveira disse...

Porra, Maldonado, eu estava esperando o 1º empate de uma enquete no blog (e seria justo) e você estraga a diversão.

Gay Literato disse...

que brincadeirinha é essa? me ensina? quanto comentario interessante ô gente! que enquete interessante! meu deus, eu nunca imaginei que a cosac fosse ganhar. vocês estão fazendo muito em se preocupar com essas coisas. rodrigo, você já pensou em tricotar meu querido? você se mostra tão ingênuo às vezes meu lindo. minha editora preferida são todas, mas como sou very poor mon amour, só posso ter os livros da l e Pm... eles tem títulos interessantes, com boas traduções também né pessoas? ai, como eu queria ter o fausto e o quixote da 34, o pantagruel da ateliê, os carpeaux da topbooks..ah, se eu pudesse..ah, se eu tivesse!!!...ao mesmo tempo que tenho vontade de possuí-los, morro de vontade de picar fogo neles. ja pensaram como seria uma fogueira com a coleção leste todinha da 34? a prosa do mundo da cosac? e o finnegans wake, com aqueles 5 volumes mal traduzidos ficariam tão bem também né? coloquemos shakespeare, homero, borges e até o inigualável galináceo soteropolitano com o seu inédito de nafta! nãooo, ele não merece.
beijos meus gatos!

Ederval Fernandes disse...

Valeu, Ricardo. Volte sempre.